“Desde pequenos tínhamos semelhanças opostas, minha cor preferida era azul e a dela rosa, eu tirava pedrinhas do caminho e ela fazia um caminho só de pedras; crescemos lado-a-lado, brincando de explodir sapos e ascender fosforo através da lupa, certa vez, aos 16 anos, eu e ela fomos a vizinha vidente, uma mulherzona que parecia homem, queríamos ver nosso futuro, ela nos disse que via uma praça feia, suja, uma arvore velha e grande com flores rosa, havia muita sombra e alguém. ‘Meio dia e meio’ ela disse, e a gente saiu correndo de medo. Aos 30 anos quase a perdi, fui para a Austrália a procura de emprego, morei lá por cerca de sete anos, depois disso me mudei pra Amsterdã, e lá fiquei. Já na velhice aguda, quando meus cabelos já brigavam entre si pra decidir de ficariam brancos ou cinzas, fui pra Chicago, à cidade dos nossos sonhos, quando cheguei à estação, logo de frente, tinha uma praça feia e suja, uma arvore velha e grande com flores rosa, havia sombra de baixo da arvore e ela sentado no banco, era meio dia e meio, foi lindo, mais uma vez, nossa ultima vez a três, eu ela e o final.”
“No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?”